Pesquisa

Estudo como o crime organizado reconfigura a vida política. Quando grupos armados governam um território — e ditam as regras do cotidiano de quem vive ali —, eles também mudam quem vota, quem pode se candidatar, quem vence e quem fica exposto à violência. Trabalho essas perguntas sobretudo no Rio de Janeiro, com microdados administrativos georreferenciados.

Governança criminal e eleições

O peso político de um grupo armado depende de quanto ele está integrado ao sistema político, mais do que da extensão do território que domina. Grupos integrados constroem laços duráveis e recíprocos com partidos e candidatos e governam quem vive sob eles como um eleitorado; grupos periféricos seguram o território apenas pela força. Ler a governança criminal como uma questão de incorporação política me permite explicar por que grupos com poder territorial parecido movem as eleições em direções opostas. Formalizo isso como uma tipologia — governança integrada, periférica e híbrida — e a acompanho no comparecimento, no alistamento eleitoral, na candidatura e em quem vence.

O Estado e o crime organizado

O Estado é parte da infraestrutura da ordem criminal. Decisões formais, sobretudo quem assume o comando da polícia local, redesenham as fronteiras do controle criminal e alimentam a captura eleitoral. O policiamento é uma das alavancas pelas quais o Estado reorganiza a ordem que diz combater, e o discurso penal no Legislativo confere legitimidade a essa ordem.

Ordem, colapso e violência de gênero

A ordem contém a violência. Quando uma autoridade que governa entra em colapso — criminal, policial ou híbrida —, o que vem à tona é a violência que ela vinha represando. Ler essa violência exige manter dois registros ao mesmo tempo, o institucional e o real, porque sob governança criminal os dois divergem de forma sistemática, e a distância entre eles é, ela própria, evidência de captura. A mesma lógica atravessa o gênero. A ordem armada ao mesmo tempo contém e produz a violência contra a mulher.

Raça e violência política

A violência política no Brasil tem uma gramática racial. Quem vira alvo na vida política, e onde, corre por duas linhas que mantenho separadas, a de raça e a de território. Mostro também como o discurso parlamentar normaliza a letalidade policial contra cidadãos negros.

Instituições democráticas e espaço cívico

Além do crime, trabalho com as instituições da democracia e com o espaço da vida cívica. Estudei o sistema de mérito do serviço público e o clientelismo que o corrói, e os movimentos sociais que disputam os limites do espaço cívico. O que liga isso à minha agenda principal é a captura, a tomada de instituições públicas por interesses privados.

publicações

Working papers e preprints

  1. Lins, I. N. (2026). Who can compete under criminal governments? Political selection in local elections. SSRN. Prêmio ABCP/Quaest · 1º lugar
    ssrn.com/abstract=6849338
  2. Lins, I. N. (2026). Voting under criminal governance: electoral mobilization by criminal organizations. SSRN.
    ssrn.com/abstract=6672040 · doi.org/10.21203/rs.3.rs-9534248/v1
  3. Lins, I. N. (2026). The two accountings of gendered violence: criminal order, police legitimacy, and recorded violence in Chicago. SSRN. em avaliação
    ssrn.com/abstract=6873281
  4. Lins, I. N. (2026). Criminal governance and electoral capture in Rio de Janeiro: a spatial typology of the vote (2008–2024). Working paper.
  5. Lins, I. N. (2026). Redistributing policing and state lethality under criminal governance. Working paper.
  6. Lins, I. N., França, G. S., & Caldas, L. (2026). Os tons da espera: a geografia racial do atraso no transporte coletivo de São Paulo. Working paper.
  7. Lins, I. N., & Albarracín, J. (2026). When it overflows: the national turn of criminalised politics in Brazilian democracy. Working paper.
  8. Lins, I. N., & Maia, B. (2026). Who can commit violence? Criminal governance and the reorganization of gender violence (Rio, Belém, Chicago). Working paper.

Artigos em periódico

  1. Lins, I. N., & Machado, C. A. M. (2024). A geografia do voto das milícias na cidade do Rio de Janeiro. Teoria & Pesquisa, 33, 1–54.
    doi.org/10.14244/tp.v33i00.1083
  2. Lins, I. N., & Machado, C. A. M. (2023). O crime é político: elementos teóricos para uma análise neoinstitucionalista das milícias no Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Ciência Política, 42.
    doi.org/10.1590/0103-3352.2023.42.271780
  3. Lins, I. N. (2023). Da baixada à zona sul: caminhos da violência política de raça no Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Segurança Pública, 17, 188–207.
    doi.org/10.31060/rbsp.2023.v17.n1.1532
  4. Lins, I. N., & Ferreira, J. V. B. (2022). Populismo penal no discurso parlamentar: o debate da violência policial na Câmara dos Deputados (2019–2021). Revista Eletrônica de Ciência Política, 13.
    doi.org/10.5380/recp.v13i1.82629
  5. Parnes, H. R., Lins, I. N., & Trindade, P. S. (2020). Engajamento, identidade e redes: um estudo de caso do Escola sem Partido. Revista Eletrônica Interações Sociais, 4, 79–92.
    periodicos.furg.br

Capítulos de livro

  1. Giannini, R., Lins, I. N., Cerqueira, M., & Leite, R. (2023). O sistema de mérito no Brasil e no mundo. In G. Lotta & V. Campagnac (Org.), República em Notas (Vol. 1, pp. 331–354). Rio de Janeiro: Cobogó. (semifinalista do Prêmio Jabuti)
    books.google.com
  2. Giannini, R., Lins, I. N., Cerqueira, M., & Leite, R. (2023). Recomendações para fortalecer o sistema de mérito do serviço público. In G. Lotta & V. Campagnac (Org.), República em Notas (Vol. 1, pp. 355–365). Rio de Janeiro: Cobogó.

Relatórios técnicos

  1. Lins, I. N. (2025). Women, peace and security: gender violence prevention policies in the Brazilian Armed Forces and Police. RESDAL.
  2. Giannini, R. A., Lins, I. N., & Aguirre, K. (2024). Challenges and recommendations for the Amazon from women human rights and environmental defenders in Peru. Igarapé Institute. igarape.org.br

Bases de dados

  1. Lins, I. N. (2026). Banco de ocupação de cargos eletivos no Brasil (BOCEL). Zenodo.
    doi.org/10.5281/zenodo.22896271 · github.com/igornovaeslins/bocel